7 horas sem resposta
E o que a minha cabeça construiu com isso.
Fazem 7 horas que ela não me responde.
E, de repente, minha cabeça decidiu que isso significa alguma coisa.
Cada minuto passou a ser um pequeno momento de eternidade. Sinto uma necessidade muito forte de resolução.
não se trata de obter um sim ou um não, é simplesmente sair da dúvida.
A dúvida é incômoda, é uma cutucada constante da memória.
E ai?… E ai?… E ai?…
Como um relógio antigo fazendo seu tic tac a cada segundo.
Caso tenha perdido as últimas edições:
A dúvida amedronta, tira todo o futuro planejado da nossa vista. É como pisar numa estrada que se cria no momento em que o pé toca o nada.
É quase como deixar de ter fé.
De fato, não há como saber o futuro, mas há como planejá-lo. Porém nesses momentos o planejamento cai por terra.
E só sobra a incógnita.
A dúvida e a ansiedade são boas amigas, e belas inimigas. Pois no momento em que surgem, vêm juntas, mas brigam por espaço.
Não dá pra distinguir mais o que é o que, elas se entrelaçaram, e disputam a atenção, se atraiçoam e ressurgem uma pós a outra.
É interessante que nesses momentos não sobra espaço pra mais nada.
A respiração da uma leve encurtada, só sobra o frio na barriga, leve, enquanto a memória retoma seu discurso.
E ai?…
O que tem de tão incomodo no espaço entre a pergunta e a resposta?
Em trinta anos de vida, 7 horas não significam nada, mas em um dia 7 horas representam 1/3 de tudo.
Um terço de tempo perdido ou um terço de tempo realmente acordado?
É isso, talvez a dúvida nos tire da anestesia diária.
Quando estamos dentro do nosso planejamento, vislumbrados com o futuro estável, estamos entorpecidos dentro da nossa própria imaginação.
A dúvida nos assenta na realidade novamente, coloca um freio imaginativo: No mundo real, não dá pra saber o que vai acontecer.
E não dá mesmo..
O modo como esse pensamento ressoa na minha alma é igual ao grito de alguém que inicia uma avalanche.
Minha percepção vem descendo ao mundo da matéria, e toda aquela segurança vai sumindo, se esvaindo… A autossuficiência deixa de existir. O controle desparece.
Sinto-me amedrontado, não pelo não, mas pelo incerto.
A verdade mais profunda é que a vulnerabilidade me assusta. São 7 horas de vulnerabilidade completa.
Vulnerável diante da incerteza, diante da realidade. Quando saí do campo em que posso prever os resultados, me vi perdido no caos.
E eu ainda estou aqui, sem resposta, apenas existindo.
Se você já atravessou sentimentos iguais a esse, talvez saiba porque eu ainda continuo escrevendo…



